Fotografia em preto e branco do fotógrafo José Silva Pinto em pose reflexiva.

JOSÉ

SILVA PINTO

TONSPI

O nome é José Silva Pinto, mas Tonspi assenta-lhe melhor. Não é uma palavra, não segue as regras, nem sequer é “Pinto” ao contrário, mas deixa-nos imaginar a sua origem e lê-la de várias formas, o que não podia reflectir melhor a sua pessoa e o seu trabalho.

TONSPI

“Resido desde 2000 em Luanda, por teimosia, por imenso Amor à terra que me viu nascer.”

TONSPI

Começamos pelo presente até descobrir o que o trouxe até aqui, afinal, as melhores histórias são contadas no presente. José Silva Pinto vive em Luanda desde 2000, o seu corpo dedica-se à fotografia e a sua alma às histórias que elas podem contar. Mais recentemente também levou essas histórias para a pintura, um gosto adormecido e quase hereditário devido ao seu pai. Aliou a sua paixão e devoção pela fotografia a uma vertente mais empresarial e, em 2008, cria o Face Studio Angola, uma produtora de conteúdos audiovisuais direccionada para o sector publicitário sendo que, quatro anos antes, já tinha criado a Casa da Fotografia, um projecto que durou três anos. Foi este projecto que assinalou a mudança no seu percurso profissional e pessoal, quando decidiu entregar-se devotamente à fotografia, porque nem sempre foi assim.

Estrutura geométrica minimalista representando um wireframe.
Estrutura geométrica minimalista representando um wireframe.
Estrutura geométrica minimalista representando um wireframe.
Estrutura geométrica minimalista representando um wireframe.
Estrutura geométrica minimalista representando um wireframe.

“Decidi conceder-me a mim próprio uma pausa neste universo tão distante e diferente e empenhar-me a fundo na fotografia, como aprendiz de contador de histórias.”

Quando regressa a Angola em 2000, passa três anos a trabalhar na indústria petrolífera, tal como tinha feito nos anos anteriores em países como Portugal, Espanha, França, Itália, Bélgica, Holanda, Alemanha, Rússia, Vietname, Camboja, Gabão e Congo, onde tomou o gosto por contar histórias que prescindem de palavras. Naturalmente, esta experiência multicultural permitiu-lhe assimilar ensinamentos e lições que, em conjunto com a sua câmara fotográfica, já faziam parte da bagagem que ainda hoje carrega.

”A passagem pela Ásia ensinou-me a paciência, aprendi a saber esperar o melhor momento, o sorriso, o esgar, o olhar.”

A sua carreira internacional (pelos sete ofícios) começou em 1984, na Suíça e na indústria farmacêutica devido à sua especialização em Projecto e Concepção de Equipamentos Mecânicos para a produção de Fármacos, após ter concorrido a uma bolsa de estudos para complementar a sua formação em Engenharia pelo Instituto Superior Técnico de Lisboa em 1979.

“Da infância e da adolescência, muitas boas recordações ficaram, das brincadeiras, dos sonhos (quase nenhum realizado), das pequenas (muitas) patifarias e traquinagens, dos desejos, dos amores, das tardes passadas com amigos nas praias da ilha.”

Em 1975, chega a Portugal um jovem de 15 anos, nascido no Lobito e criado em Luanda, Lubango e Ndalatando, com muitas boas recordações da sua infância e adolescência, apenas registadas na sua memória fotográfica. Conta que começou a andar muito tarde porque tinha preguiça e também porque era muito gordo, a falar demasiado cedo porque, segundo a sua mãe, tinha um temperamento irrequieto, mas era um bom conversador. A inquietude e a capacidade de comunicar são as bases de um artista.

“Daí para cá, tenho estado a aprender a ver e vou fazendo aquilo que gosto mais, isto é, ver com olhos de ver, contar as minhas histórias simples da vida com verdade.”

As fotografias são o que temos de mais parecido com uma máquina do tempo, analepses e prolepses palpáveis, por isso não há problema se voltarmos ao “princípio”: 1980. Foi quando aprendeu que podia conversar sem palavras, sem equipamento fotográfico de topo e sem formação técnica para saber sentir o momento e ver com “olhos de ver”. Tendo Eduardo Gageiro como referência, começou simplesmente a captar o que via sem filtros ou encenações e, às vezes, com a lente suja. A essência do seu trabalho é captar a verdade humana, desconfortável para uns e reveladora para outros, contar a história daquele momento e deixar-nos criar um princípio, meio e fim para ela.

“Frequentei como disse um dia a escolinha mágica do céu, das 1001 cores, dos entardeceres mágicos, do deslumbramento de ver um novo dia nascer.”

Numa entrevista, perguntaram-lhe se realmente uma imagem vale mais do que mil palavras. Ele respondeu que dependia, porque podiam caber mais de mil palavras numa imagem; uma imagem não precisar de mil palavras; ou até criar palavras para a imagem. Quando vemos uma fotografia da sua autoria precisamos apenas de uma palavra inventada: Tonspi.

“O Futuro… bom, esse, vou continuar a escrevê-lo com pinceladas de azul, no céu que eu invento para mim próprio, todos os dias.”

Veremos no que vai dar... até porque continuo a acreditar no AMOR, no HOMEM, na VIDA.

O Futuro... bom, esse, vou continuar a escrevê-lo com pinceladas de azul, no céu que eu invento para mim próprio, todos os dias.

O céu não tem limites.
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