“Decidi conceder-me a mim próprio uma pausa neste universo tão distante e diferente e empenhar-me a fundo na fotografia, como aprendiz de contador de histórias.”
Quando regressa a Angola em 2000, passa três anos a trabalhar na indústria petrolífera, tal como tinha feito nos anos anteriores em países como Portugal, Espanha, França, Itália, Bélgica, Holanda, Alemanha, Rússia, Vietname, Camboja, Gabão e Congo, onde tomou o gosto por contar histórias que prescindem de palavras. Naturalmente, esta experiência multicultural permitiu-lhe assimilar ensinamentos e lições que, em conjunto com a sua câmara fotográfica, já faziam parte da bagagem que ainda hoje carrega.
”A passagem pela Ásia ensinou-me a paciência, aprendi a saber esperar o melhor momento, o sorriso, o esgar, o olhar.”
A sua carreira internacional (pelos sete ofícios) começou em 1984, na Suíça e na indústria farmacêutica devido à sua especialização em Projecto e Concepção de Equipamentos Mecânicos para a produção de Fármacos, após ter concorrido a uma bolsa de estudos para complementar a sua formação em Engenharia pelo Instituto Superior Técnico de Lisboa em 1979.
“Da infância e da adolescência, muitas boas recordações ficaram, das brincadeiras, dos sonhos (quase nenhum realizado), das pequenas (muitas) patifarias e traquinagens, dos desejos, dos amores, das tardes passadas com amigos nas praias da ilha.”
Em 1975, chega a Portugal um jovem de 15 anos, nascido no Lobito e criado em Luanda, Lubango e Ndalatando, com muitas boas recordações da sua infância e adolescência, apenas registadas na sua memória fotográfica. Conta que começou a andar muito tarde porque tinha preguiça e também porque era muito gordo, a falar demasiado cedo porque, segundo a sua mãe, tinha um temperamento irrequieto, mas era um bom conversador. A inquietude e a capacidade de comunicar são as bases de um artista.
“Daí para cá, tenho estado a aprender a ver e vou fazendo aquilo que gosto mais, isto é, ver com olhos de ver, contar as minhas histórias simples da vida com verdade.”
As fotografias são o que temos de mais parecido com uma máquina do tempo, analepses e prolepses palpáveis, por isso não há problema se voltarmos ao “princípio”: 1980. Foi quando aprendeu que podia conversar sem palavras, sem equipamento fotográfico de topo e sem formação técnica para saber sentir o momento e ver com “olhos de ver”. Tendo Eduardo Gageiro como referência, começou simplesmente a captar o que via sem filtros ou encenações e, às vezes, com a lente suja. A essência do seu trabalho é captar a verdade humana, desconfortável para uns e reveladora para outros, contar a história daquele momento e deixar-nos criar um princípio, meio e fim para ela.
“Frequentei como disse um dia a escolinha mágica do céu, das 1001 cores, dos entardeceres mágicos, do deslumbramento de ver um novo dia nascer.”
Numa entrevista, perguntaram-lhe se realmente uma imagem vale mais do que mil palavras. Ele respondeu que dependia, porque podiam caber mais de mil palavras numa imagem; uma imagem não precisar de mil palavras; ou até criar palavras para a imagem. Quando vemos uma fotografia da sua autoria precisamos apenas de uma palavra inventada: Tonspi.
“O Futuro… bom, esse, vou continuar a escrevê-lo com pinceladas de azul, no céu que eu invento para mim próprio, todos os dias.”